terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Choram os olhos pela madrugada cantada na escuridão. As ideias, as palavras, as imagens, os gestos e até as metáforas , sucumbem na falta de temas, motivos e mesmo diplomacia. O dia acordou, levantou-se do ermo - Há uma alma que vive, que luta numa solidão sem nome e todos os gestos são equacionados num labirinto onde se procuram os sonhos numa busca incessante da felicidade.
Extractos de: Angelina Alves
Há uma amargura no sorriso que ganha uma doçura triste. As palavras soam como a própria vida. Há uma procura incessante de um sonho perdido, Por onde andas felicidade?... Algures num labirinto, onde eu não consigo decifrar o código da entrada. E gritam as maiores mágoas silenciadas de olhos postos pelo espaço, onde se perdem pelo som de um piano, acompanhado de uma voz rouca e abafada, impetuosa ou pensativa, mas que não chora, apenas disserta musicalmente sobre as dores da sua alma..
Extratos de: Angelna Alves

segunda-feira, 13 de novembro de 2017


  1. Os ventos que às vezes tiram
  2. algo que amamos, são os
  3. mesmos que trazem algo que
  4. aprendemos a amar... Beijinhos da Ange.... 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Estado de Alma

Os dias de verão estão a terminar como um reino
Não te apresses Outono para os desenhos da luz
O sol ainda demora, ainda não chegou
A esta doçura matinal que meu cheiro respira
Indecisa, colho a haste débil que parou
No vento suave da colorida resina.
Quero moldar o meu espaço:
Da cor do sol a clara, espiga do dia
Um raio de sol chega
E  aquece o meu corpo numa linha viva.
Há palavras no branco alento de ti, puro
Os desenhos da luz mostram-me a tua cor
Nas persianas ondulantes em listas de luz
Cantam em melodia todos os pássaros
Entoando harmonia neste silêncio cálido
A folha alta cresceu, fez nascer o dia
Em silêncio de bloco transparente
Tudo revive no que em ti eu vejo
Mesmo na margem branca intransponível
Mesmo no monte árido
Onde não há sol, mas há vida
Há um sol quente
Completamente invisível
Hesito, falho e sempre recomeço
Vem a noite e vem o dia
E todo o sol em luz dá vida
Há vida nas palavras escritas em verso.


 Escrito por: Angelina Alves

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


O mistério da morte – dedicado à minha mãe
Partiste no dia 16 de Agosto de 2017,
o dia era fervente de um calor atroz. Sete horas fim de tarde, eu de cara encostada à tua, dizia-te adeus. A tua cara estava fria e os teus cabelos brancos luziam no teu rosto apagado.
As minhas últimas palavras segredadas em silêncio - obrigado meu DEUS, por acabares com o sofrimento da minha Mãe. Manifestei pouco este belo sentimento à minha mãe e no fundo sempre a amei sem me aperceber deste sentimento tao nobre e inigualável. Dei-me conta da profundidade das raízes desse amor, no momento da derradeira separação física, que é a morte.
O coração das mães é um oceano tão grande, no fundo do qual se encontra sempre o perdão, assim deve ser o coração dos filhos, perdoar os pais quando erram, porque a aprendizagem da vida é feita entre as partes e o amor cresce quando reconhecemos atempadamente que: O AMOR DE MÃE, é o amor mais lindo que existe.
Todos os filhos se deveriam lembrar que a sua mãe foi o primeiro elo de ligação a este mundo quando as raízes começam a brotar logo no início da gestação e que essa ligação não pode de maneira nenhuma ser quebrada, aconteça o que acontecer. É um privilégio ser-se mãe, temos portanto que respeitar, acarinhar e perdoar o erro dos nossos pais, mesmo quando as situações nos parecem absurdas. Não terei nada que perdoar à minha mãe, apenas me culpo a mim, julga-la como fiz durante anos. Felizmente ainda tive tempo de lhe dizer o quanto a amava e agradecer a Deus, de me ter dado tempo para poder privar com ela.
Por muito que parece o contrário, pois muitas vezes nos questionamos por isto ou por aquilo, como eu fiz, porque cresci com muitas duvidas no meu coração e porque nunca obtive as respostas corretas, Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.
É um amor mais forte que tudo, mais obstinado, mais duradouro, que prevalece para lá dos tempos.
É o amor de mãe.
A mulher que é mãe, é rainha da sua rosa. Tu foste a minha rainha na tua simplicidade. AMO-TE TAL COMO TU FOSTE MÃE AMADA. Ficaras para sempre no meu coração. Sei que subiste aos céus e lá encontraste os teus dois filhos e a tua neta – a minha filha amada.
Em memória de ti minha amada mãe
Até já 
Escrito por: Angelina Alves

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Sonhei que ainda estavas aqui e que o tempo tinha parado: Afinal qual de nós perdeu o direito! eu de te ver ou tu de me veres a mim? Que descanses em paz. Aprendi amar-te. aprendi a apaziguar o meu coraçao nas horas mudas, porque a vida ensinou-me a reconhecer a tua vós. A vida mostrou-me que: não há amor como o amor de MÃE .Estarás sempre no meu coração mãe amada 

sábado, 1 de abril de 2017

Há uma luz que se esvazia nos  olhos tristes, como um vulto num espaço opaco, todavia fica a memória  que em vão procura abrir-se a imagens de lembranças: rostos, sítios, mares, terras e até corpos delicados num curvar de ombros ou perfis. Sempre se recorda, ou se sonha do que mesmo sendo já antigo no tempo, foi e é ardente em nosso tempo. Vemo-nos em outros rostos, em outros gestos e embora o passado não nos alimente; alimenta o vivo quadro,  acendido em sonhos e lembranças. Mas o passado sempre se renova em cores e em formas ainda que sejam repetidas. E quando esse halo opaco se esvazia, a pouco, e pouco nos rodeia a vida, nem sequer o lembrar nos resta, porque os sonhos não se entregam: Crepuscular a luz obscurece  tudo.
Que interessa ter as mãos cheias de ouro
Quando o fogo da vida apagou
Os rebentos mais lindos, o mais valioso tesouro
O folgo da vida: A vida levou.
E quantas lembranças e quantas imagens
Se perderam na longa viagem do tempo?
Oceanos, mares, vales, gente; miragens
Crepuscular a luz que  apazigua o vento
Trava tempestades e põe os olhos tristes
A joia mais bela da vida, a própria vida
Ardente é o corpo: vida existe
Rostos, corpos delicados da alegria
Que seja florida a compreensão
Renovadas as cores e as formas repetidas
Vida, Onde há vida há sonho, há coração
O crepuscular da luz em nossas vidas…
Escrito por: Angelina Alves